MEI 09/03/2026 5 min de leitura

Pequenas empresas desenvolvem softwares próprios e reduzem custos

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Durante anos, a única alternativa para micro e pequenas empresas foi contratar softwares prontos em modelo SaaS (Software as a Service), basicamente são sistemas alugados na nuvem, pagos por assinatura e com pacotes de funcionalidades padronizadas. Apesar de práticos, eles geram custos recorrentes altos e trazem recursos que nem sempre se encaixam na realidade dos pequenos negócios.

Hoje, esse cenário começa a mudar com o amadurecimento das plataformas de desenvolvimento no-code/low-code e a popularização da inteligência artificial, permitindo que negócios menores construam suas próprias ferramentas digitais sob medida, a custos mais baixos e com maior eficiência, como um sistema de ERP, por exemplo.

A maturidade digital das pequenas empresas

O movimento não é isolado. De acordo com pesquisa recente do Sebrae, 85% das micro e pequenas empresas brasileiras já utilizam algum tipo de automação em suas rotinas administrativas e financeiras, o que demonstra que a digitalização vai além da conectividade, representando um salto para processos mais inteligentes que eliminam tarefas repetitivas e dão espaço à gestão estratégica.

Esse ambiente cria o terreno ideal para que pequenas empresas avancem na criação de sistemas próprios, deixando de ser apenas consumidoras de tecnologia para se tornarem também construtoras.

Vale a pena desenvolver um sistema próprio?

Para micro e pequenas empresas, criar uma solução sob medida pode representar uma virada estratégica em quatro frentes principais:

Redução de custos fixos: Assinaturas de SaaS podem parecer pequenas individualmente, mas, somadas ao longo do ano (e ainda mais quando cobradas por usuário) facilmente alcançam valores de milhares de reais. Ao migrar para um sistema interno a empresa transforma esse custo recorrente em investimento de longo prazo.

Personalização total: Ao invés de adaptar a rotina aos padrões de um fornecedor, o negócio passa a moldar o sistema conforme sua realidade. Gestão de fluxo de caixa, fluxos de trabalho, relatórios e integrações podem ser desenhados para resolver problemas específicos, evitando desperdícios e aumentando a eficiência operacional.

Autonomia e escalabilidade: Ter um sistema próprio significa também independência. Se surge uma nova necessidade, basta incluir um módulo ou ajuste, sem depender de atualizações de terceiros, permitindo que o software cresça no mesmo ritmo do negócio.

Integração com inteligência artificial: Hoje, já é possível automatizar etapas críticas que antes consumiam horas de trabalho humano: leitura e processamento de notas fiscais, organização de grandes volumes de dados ou geração de relatórios de gestão. A IA deixa de ser promessa distante e passa a ser ferramenta acessível, mesmo para quem não é especialista em tecnologia.

Ainda existem barreiras técnicas, culturais e até financeiras. Mas a democratização de plataformas no-code e low-code, como Bubble, Glide e Softr, reduziu drasticamente esses obstáculos. Hoje, uma PME pode colocar uma solução funcional em produção em questão de semanas, algo que antes exigia meses de desenvolvimento tradicional.

Leia também: Do custo ao lucro: como precificar serviços na prática

Case de mercado: Ever Contábil

Um exemplo vem da Ever Contábil, empresa que atende micro e pequenos empreendedores em todo o Brasil, oferecendo serviços contábeis aliados à consultoria de gestão.

Segundo Rodrigo Schluchting, CEO da companhia, a decisão de investir em tecnologia própria nasceu da dependência de softwares externos: “Antes, nós utilizávamos um software em modelo SaaS para buscar informações das empresas na Receita Federal. Pagávamos mensalmente por esse serviço. Hoje, já desenvolvemos internamente essa mesma funcionalidade dentro do nosso próprio sistema, muito mais personalizado e em sintonia com nossa operação, e ainda seguimos criando novas ferramentas continuamente”, afirma.

A iniciativa evoluiu rapidamente. Hoje, a empresa trabalha em um software contábil proprietário, cujo módulo fiscal já está integrado à inteligência artificial. “Ele busca notas, processa e faz a apuração automaticamente. É mais ágil, econômico e nos permite personalizar totalmente o serviço para nossos clientes”, explica Schluchting.

Conforme o empresário, os próximos passos incluem módulos financeiros, contábeis e de departamento pessoal, todos desenhados para refletir a forma como a Ever opera e atende seus clientes.

Desafios no caminho dos softwares próprios

Apesar do avanço das ferramentas, desenvolver sistemas internos ainda exige atenção a três frentes críticas:

Na tecnologia, é preciso garantir segurança e escalabilidade, mesmo em plataformas no-code ou low-code.

Na legislação, setores regulados, como o contábil ou o financeiro, precisam assegurar que seus softwares estejam sempre atualizados às normas tributárias e fiscais.

Na cultura organizacional, as equipes devem se adaptar a novos processos e incorporar a mentalidade digital ao dia a dia, o que demanda treinamento e mudança de hábitos.

O ponto é que o futuro das pequenas empresas no Brasil não se limita mais a assinar softwares de prateleira. Com o amadurecimento de plataformas acessíveis e a integração crescente da inteligência artificial, construir sistemas próprios deixou de ser um privilégio de grandes corporações e passou a ser uma estratégia realista, competitiva e, em muitos casos, inevitável.

 

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