Finanças 13/07/2026 5 min de leitura

Empreendedores buscam controle financeiro para enfrentar custos e crescer com segurança em 2026

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controle financeiro

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Com juros ainda elevados, inadimplência empresarial alta e mudanças tributárias em andamento, pequenos negócios reforçam a necessidade de acompanhar caixa, custos e margem com mais precisão

O controle financeiro está ganhando ainda mais relevância na rotina dos empreendedores em 2026. Em um cenário marcado por custos pressionados, crédito caro e necessidade de planejamento para crescer, micro e pequenas empresas buscam formas de organizar melhor o caixa, acompanhar indicadores e tomar decisões com base em dados mais claros.

A preocupação acontece em um contexto econômico que exige cautela. O Banco Central reduziu a taxa Selic para 14,50% ao ano na reunião do Copom de abril de 2026, mas o patamar ainda mantém o custo do crédito elevado para empresas que dependem de capital de terceiros. Além disso, dados do IBGE mostram que o IPCA acumulou alta de 4,14% em 12 meses até março de 2026. Já o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, acumulou 4,37% em 12 meses até abril de 2026. 

Para os pequenos negócios, esse ambiente aumenta a importância de acompanhar não apenas o faturamento, mas também a rentabilidade real da operação. Isso porque vender mais nem sempre significa lucrar mais. Quando custos, impostos, comissões, taxas, estoque, folha de pagamento e despesas fixas não são monitorados com frequência, o empresário pode ter a impressão de crescimento, mesmo operando com margem apertada ou caixa insuficiente.

Os dados de inadimplência reforçam esse alerta. Segundo a Serasa Experian, o Brasil registrou 8,7 milhões de empresas inadimplentes em janeiro de 2026, com R$ 201,7 bilhões em dívidas. Desse total, 8,3 milhões eram micro e pequenas empresas, que concentravam 95,5% dos CNPJs negativados no país.

Nesse cenário, o controle financeiro deixa de ser uma tarefa administrativa e passa a ser um instrumento de sobrevivência e crescimento. Para a EVER, empresa brasileira especializada em contabilidade consultiva, tecnologia e apoio à gestão de micro e pequenos negócios, a organização financeira precisa estar integrada à rotina de decisão do empreendedor.

“Quando o empresário acompanha apenas o saldo da conta, ele enxerga uma parte muito limitada do negócio. O saldo mostra o dinheiro disponível naquele momento, mas não mostra obrigações futuras, margem real, necessidade de capital de giro ou impacto dos impostos. O controle financeiro bem feito ajuda a transformar dados soltos em decisão”, avalia Rodrigo Schluchting, porta-voz da EVER.

Entre os pontos que mais exigem atenção estão o fluxo de caixa, a separação entre contas pessoais e empresariais, o controle de contas a pagar e a receber, a formação correta de preços, a definição de pró-labore e o acompanhamento periódico da margem de lucro. Esses elementos ajudam o empreendedor a entender quanto pode retirar da empresa, quando precisa rever custos e quais decisões podem comprometer o caixa nos meses seguintes.

A busca por gestão mais estruturada também aparece nas expectativas dos empreendedores para 2026. Levantamento do Sebrae apontou que 57% dos MEIs acreditam que 2026 será melhor que 2025 e que 60% pretendem adotar alguma nova estratégia para estimular vendas, como investimento em propaganda, ampliação de produtos e serviços, cursos e treinamentos. Em outra pesquisa regional, também do Sebrae, aumentar o faturamento, melhorar a gestão e ampliar o lucro aparecem entre os principais objetivos dos pequenos negócios para o ano.

Planejamento é estratégia indiscutível

A intenção de crescer, porém, precisa vir acompanhada de planejamento. Pequenos negócios representam 97% do total de empresas do país e respondem por 26,5% do PIB nacional, segundo dados compilados pelo Sebrae com apoio da Receita Federal. Essa relevância econômica torna ainda mais importante que empreendedores tenham acesso a ferramentas e orientação para profissionalizar a gestão.

Outro fator que amplia a necessidade de organização é o período de transição da reforma tributária. Empresas precisarão conviver com dois formatos de tributação durante a transição, que vai até 2033, o que exige atenção redobrada ao planejamento financeiro e à gestão dos negócios.

Na prática, isso significa que decisões como precificar um produto, contratar um funcionário, buscar crédito, investir em marketing ou ampliar a operação devem considerar mais do que o potencial de faturamento. É preciso entender o impacto da decisão no caixa, nos impostos, nos custos fixos e na margem final.

Para empresas de menor porte, essa mudança de mentalidade pode ser decisiva. Em vez de administrar o negócio apenas de forma reativa, apagando problemas conforme eles aparecem, o empreendedor passa a trabalhar com previsibilidade. Isso permite antecipar períodos de baixa, negociar melhor com fornecedores, evitar atrasos, planejar investimentos e crescer com mais segurança.

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