Negócios 13/07/2026 3 min de leitura

Empreendedorismo amadurece no Brasil, mas gestão ainda é principal gargalo das PMEs

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Empreendedorismo amadurece no Brasil

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Abertura de empresas bate recordes e reforça maturidade do setor, enquanto desafios como controle financeiro e formação de preço seguem entre os principais entraves à sustentabilidade dos negócios

O empreendedorismo brasileiro vive um momento de consolidação. Com crescimento consistente na abertura de empresas e maior participação na economia, micro e pequenas empresas reforçam seu papel como motor de geração de renda e emprego no país. Ao mesmo tempo, esse avanço expõe um contraste relevante: embora o número de negócios aumente, a capacidade de gestão ainda não evolui no mesmo ritmo.

Segundo o Sebrae, os pequenos negócios representam cerca de 97% das empresas brasileiras e respondem por aproximadamente 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB). O segmento também concentra a maior parte das vagas formais geradas no país, consolidando sua importância para a dinâmica econômica nacional.
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O ritmo de crescimento segue acelerado. Apenas em 2025, mais de 2,2 milhões de pequenos negócios foram abertos no Brasil, com destaque para os microempreendedores individuais (MEIs). O dado indica um ambiente cada vez mais favorável à formalização e à busca por autonomia financeira.

Crescimento consistente esbarra em desafios estruturais de gestão

A sobrevivência dos negócios no Brasil continua sendo um ponto sensível, especialmente nos primeiros anos de operação. A facilidade de abrir empresas não elimina a complexidade de mantê-las ativas e financeiramente saudáveis ao longo do tempo.

Esse desafio se torna ainda mais evidente diante do aumento do estresse financeiro no ambiente de negócios. O Brasil registrou 2.273 pedidos de recuperação judicial em 2024 — o maior número da série histórica —, com crescimento de 61,8% em relação ao ano anterior. O indicador reforça a pressão sobre empresas que enfrentam dificuldades para equilibrar caixa, custos e endividamento.

Para Alison Oliveira, especialista da Ever Contábil, o ponto central não está apenas na capacidade de empreender, mas na forma como o negócio é estruturado ao longo do tempo. “O empreendedor brasileiro evoluiu muito na iniciativa e na busca por oportunidades, mas ainda encontra dificuldade em transformar esse movimento em resultado consistente. A gestão continua sendo o principal desafio”, afirma.

Segundo ele, é comum que empresas apresentem bom volume de vendas, mas enfrentem dificuldades na organização financeira. “Muitos negócios vendem, têm demanda, mas não conseguem estruturar fluxo de caixa, precificação e controle de despesas. Isso faz com que o empresário trabalhe muito, mas não veja o lucro na mesma proporção”, explica.

Profissionalização da gestão deve definir próxima fase do empreendedorismo

Nesse contexto, empresas de contabilidade têm ampliado sua atuação para além das obrigações fiscais, com foco em apoiar o empreendedor na leitura financeira do negócio e na tomada de decisões mais estruturadas. A proposta acompanha uma demanda crescente por maior profissionalização da gestão nas PMEs.

A evolução do empreendedorismo no Brasil, portanto, não se resume ao aumento no número de empresas abertas. O próximo passo desse movimento passa pela capacidade de transformar crescimento em sustentabilidade, o que depende, cada vez mais, de organização financeira, planejamento e gestão eficiente.

Com um ambiente econômico mais exigente e competitivo, especialistas apontam que a maturidade do setor será medida não apenas pela quantidade de novos negócios, mas pela capacidade de mantê-los saudáveis ao longo do tempo.

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