Novidades Contábeis 04/06/2023 6 min de leitura

Lei 14195 de 2021 e as mudanças na inatividade de empresas

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Lei 14195 de 2021

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A publicação da Lei 14.195/2021 promoveu alterações profundas na dinâmica do registro mercantil brasileiro. Conhecida como a Lei do Ambiente de Negócios, essa legislação teve como objetivo central modernizar o sistema produtivo, simplificar a formalização de atividades econômicas e diminuir a intervenção burocrática estatal sobre os empreendimentos.

Entre as determinações mais relevantes trazidas pelo texto aprovado pela Presidência da República (disponível no portal da Presidência da República), destaca-se a revogação do artigo 60 da Lei 8.934/1994. Esse dispositivo regulava a declaração administrativa de inatividade empresarial por parte das juntas comerciais estaduais.

Com o cancelamento automático desse mecanismo punitivo de arquivamento, as pessoas jurídicas não correm mais o risco de perder seu registro mercantil apenas pela falta de averbações periódicas. Contudo, essa simplificação normativa exige atenção técnica para que o titular não confunda a desobrigação cadastral na junta com a dispensa de encargos tributários federais.

O conceito de inatividade empresarial no ambiente societário e fiscal

Para compreender a amplitude da alteração, é preciso distinguir os dois planos em que a inatividade opera: o societário e o fiscal. No âmbito tributário, a Receita Federal do Brasil considera inativa a pessoa jurídica que não realizou qualquer atividade operacional, não operacional, de natureza patrimonial ou financeira durante todo o ano-calendário, incluídas movimentações no mercado financeiro ou de capitais.

No plano societário, a sistemática anterior à Lei 14.195/2021 enquadrava a inatividade de modo bem mais rígido e artificial. Qualquer sociedade mercantil que ficasse dez anos consecutivos sem arquivar alterações ou atas na respectiva junta comercial era notificada para declarar se desejava continuar aberta. Caso ficasse em silêncio, a junta declarava a empresa inativa de ofício, cancelando sua inscrição comercial e liberando o nome empresarial para terceiros.

Essa disparidade entre os órgãos criava um descompasso administrativo crônico. A perda do registro no órgão estadual não encerrava as pendências fiscais da sociedade perante o fisco, transformando pendências simples em processos burocráticos complexos que exigiam serviços de regularização empresarial para reaver os direitos cadastrais dos sócios.

Regras anteriores ao marco legal

Durante a vigência do antigo regramento, as juntas comerciais mantinham rotinas anuais de publicação de editais com milhares de sociedades notificadas. Os administradores precisavam cumprir exigências estritas para manter o negócio juridicamente vivo:

  • Promover o protocolo de comunicação de funcionamento dentro do prazo fixado pelo edital publicado pelo órgão estadual.
  • Atualizar dados cadastrais ou formalizar nova versão consolidada do contrato social para movimentar o prontuário da sociedade.
  • Solicitar desarquivamento e nova pesquisa prévia de viabilidade de nome societário, caso o registro já tivesse sofrido o cancelamento administrativo.

Quando esses prazos eram desrespeitados, a perda da proteção ao nome empresarial gerava disputas comerciais severas, pois outros concorrentes podiam registrar a mesma denominação no mesmo estado sem que os fundadores originais pudessem recorrer prontamente.

O posicionamento dos órgãos de registro empresarial

A antiga sistemática gerava um volume excessivo de trabalho mecânico nas repartições públicas, sem trazer nenhum benefício arrecadatório ou de fiscalização prática. A extinção da figura da inatividade por falta de arquivamento decorreu de amplos debates técnicos conduzidos pelo Departamento Nacional de Registro Empresarial e Integração, órgão responsável por uniformizar as regras do registro público de empresas mercantis.

Segundo as diretrizes estabelecidas pelo departamento federal, o arquivamento formal deve refletir a vontade dos sócios, e não uma obrigação cartorária desvinculada da operação econômica. A revogação do artigo 60 eliminou a chamada morte ficta das empresas, impedindo que a junta declare o encerramento sem que haja a liquidação voluntária ou determinação judicial formal.

Dessa maneira, a preservação do status ativo na junta comercial passou a ser automática no que tange à passagem do tempo. O empresário mantém seu nome protegido de forma permanente na unidade federativa onde está registrado, independentemente de registrar alterações com regularidade periódica.

Impactos nas rotinas fiscais e necessidade de conformidade contábil

Apesar da eliminação da inatividade forçada nas juntas comerciais, a situação da pessoa jurídica perante a administração tributária permanece submetida a critérios rígidos. Ter a empresa ativa na junta comercial não desobriga a administração de prestar contas anuais aos órgãos fazendários municipais, estaduais e federais.

A ausência prolongada na entrega de declarações acessórias, como a DCTF ou a ECF, acarreta a inaptidão cadastral perante a Secretaria Especial da Receita Federal. Nesse estado, o CNPJ sofre bloqueios para emitir notas fiscais, perde acesso a contas bancárias operacionais e impede os sócios de participarem de licitações. Nesses casos, saber como regularizar CNPJ inapto torna-se o único caminho para restabelecer a idoneidade da entidade.

Obrigações que permanecem exigidas mesmo sem faturamento

Mesmo que o negócio não registre movimentação bancária ou emissão de notas ao longo dos meses, diversas declarações continuam sendo exigidas pelas autoridades públicas:

  • Transmissão da DCTF ou DCTFWeb informando a ausência de fatos geradores tributários nos períodos de apuração fixados pela legislação.
  • Apresentação da declaração anual simplificada ou das escriturações digitais aplicáveis ao regime tributário eleito pelo empreendimento.
  • Envio das informações previdenciárias e trabalhistas por meio do eSocial, atestando a inexistência de folha de pagamento no período.

O descumprimento contínuo desses deveres gera a aplicação de multas por atraso que se acumulam ao longo dos exercícios financeiros. Quando os sócios decidem não retomar as atividades, o caminho mais seguro consiste em efetuar a devida baixa de CNPJ, eliminando qualquer risco de cobrança futura sobre o patrimônio pessoal dos integrantes do quadro societário.

A manutenção de uma rotina contínua de contabilidade mensal assegura que o negócio cumpra suas exigências sem gerar passivos ocultos, preservando a saúde fiscal da sociedade em qualquer fase do seu ciclo de vida.

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